O que é Terapia Do Esquema
A terapia do esquema deJeffrey Youngé uma abordagem integrativa que, além das bases teóricas da terapia cognitivo-comportamental, ainda combina e reorganiza seus constructos com aspectos da teoria do apego, Gestalt-terapia, relações objetais, teoria construtivista e psicanálise.
‘esquema’, são “lentes especiais”formas próprias de entender o mundo, e que afetam a forma como enxergamos o mundo. Essas lentes carregam emoções intensas, sensações corporais, memórias da infância e pensamentos que giram em torno de um tema.
Como, por exemplo:
- abandono,
- não ser bom o suficiente,
- não ser digno de amor,
- pressão em agradar os outros,
- abuso ou
- negligência.
Na terapia do Esquema entendemos melhor varias nuances da nossa própria personalidade e como os esquemas surgem como uma forma de compensar ou enfrentar algo ou situação. Esquemas são como modos específicos de enfrentamento, mas que em determinadas situações podem nos causar mais problemas que benefícios.
Situações em que existem muita ativação emocional, gatilhos emocionais sempre são decorrentes de esquemas.
A terapia do esquema oferece ao paciente uma conexão entre os problemas de hoje e necessidades emocionais que não foram devidamente supridas no passado, principalmente durante a infância, e para lidar com essas faltas e que surgem os esquemas.
Como surge um esquema
Desde a infância, começamos a desenvolver maneiras de entender e lidar com o mundo ao nosso redor.
Isso acontece através das interações com nossos cuidadores e do ambiente em que crescemos.
Nossos cuidadores desempenham um papel crucial nesse processo, pois suas ações e comportamentos moldam nossas percepções sobre nós mesmos e sobre o mundo.
Assim como precisamos de alimentos nutritivos e água para sobreviver, os nutrientes emocionais são indispensáveis.
Dessa forma quando não somos nutridos emocionalmente por nossos cuidadores, esquemas podem nascer e influenciar a maneira como pensamos e sentimos.
Os esquemas são como estruturas interpretativas que se formam com base nas experiências vividas na infância e adolescênciae podem se tornar padrões repetitivos tão rígidos que, para modificá-los, a compreensão e trabalho em terapia é indispensável.
os esquemas são:
- desenvolvidos na infância ou adolescência
- elaborados ao longo da vida
- adaptativos na infância
- relacionados a si próprio ou ao relacionamento com outras pessoas
- disfuncionais em nível significativo
- filtros da experiência atual – podendo até distorcê-la
- ligados a altos níveis de emoção
- autoperpetuáveis e resistentes à mudança
- estruturas interpretativas estáveis e duradouras
Necessidade X Nutrição
empatia → “você é vista”
afeto → “eu estou feliz por você existir”
segurança → eu protejo você”
autonomia → “você é capaz de realizar e tem habilidades para isso”
expressão das emoções → “suas necessidades são importantes pra mim”
limites → “eu tenho direitos e as pessoas também”
validação → “você é importante”
espontaneidade e lazer → ” você pode ser feliz, você pode ter prazer”
Young descreveu 18 esquemas, divididos em 5 categorias:
Desconexão e rejeição
Aqui, entram os esquemas:
(1) privação emocional; (2) abandono; (3) desconfiança/abuso; (4) defectividade; (5) isolamento social
Eles estão ligados à falta de proteção, amor incondicional e vínculos seguros.
Autonomia e desempenho prejudicados
Esquemas:
(6) fracasso; (7) dependência/incompetência; (8) vulnerabilidade ao dano e doença; (9) emaranhamento
Esses se relacionam a déficits na autonomia e no senso de competência
Limites prejudicados
Os esquemas são:
(10) grandiosidade/arrogo; (11) autocontrole/autodisciplina insuficientes
Estão relacionados à falta de limites e de oportunidades de autocontrole
Orientação para o outro
Nesta categoria, temos três esquemas:
(12) subjugação; (13) autossacrifício; (14) busca de aprovação
Esses esquemas se relacionam ao direcionamento ao outro (quando a criança se preocupa muito em agradar os pais, ou, é treinada para atender às expectativas dos outros, em prol das dela mesma)
Supervigiância e inibição
Por fim, temos os esquemas:
(15) inibição emocional; (16) padrões inflexíveis; (17) negativismo/pessimismo; (18) postura punitiva
Eles se ligam a situações de rigidez e excesso de controle, contrastando com pouco espontaneidade e momentos de brincadeira
